Serviço de Quarto - Capítulo 1: Piloto

Serviço de Quarto - Capítulo 1: Piloto


OLÁ OLÁ, Terra...

Peguem as suas chaves, se acomodem nos seus respectivos quartos, sentem-se, peguem uma xícara de chá porque aqui começa uma nova ficção, uma história não tão feliz, nem tão triste... A história do detetive Marley Q. Finnick, da senhorita Taylor W. Swan e de um Hotel não tão amigável, com uma história longa pra contar...


CAPÍTULO 1Piloto / Bem-vindo, M.


6 de Outubro de 1989

Um copo de café, uma caneta e um caderno em branco, era o suficiente pra me fazer voar longe pelas minhas memórias, eu voltei na minha infância, lembrei do último dia do inverno, em que eu estava olhando os flocos de neve caírem lentamente pela janela, tudo parecia tão calmo e harmônico...

Eu estava feliz por ter decidido para mim mesmo que quando crescesse iria ser um grande e famoso escritor, pensava nas histórias que podia escrever e pensava nas possibilidades de lugares e rostos que eu poderia criar com uma folha em branco, eu gostava de ficar só, somente eu, eu mesmo e meus pensamentos...

- Marley?
- Ah, falou alguma coisa, Henth?
- Sim, eu perguntei quantos dias você vai passar no Hotel.
- Não há certeza, o chefe disse que eu posso ficar lá o tempo que eu desejar para resolver o problema.
- Era só isso, agora pode voltar para os seus devaneios.

Eu dei um sorriso para ele, ele retribuiu com outro que podia se ver claramente do espelho dei um gole no meu café e em seguida olhei direto para a janela do carro, a paisagem passava em um ritmo único e o balanço do automóvel me fazia pensar em uma boa soneca, mas simplesmente não podia, nem se quisesse, o café e o meu companheiro Henth me faziam ficar de olhos abertos para qualquer coisa.

Eu bem que gostaria que fosse uma viagem de férias, mas não, estava em um dos casos mais bizarros que já passaram pela minha frente.

Semanas antes, eu estava na casa de uma mulher chamada Melanie Lorenz, a cena do crime era assustadora, uma mulher morta com tiros que atravessavam a sua cabeça, cortes em seu pulso e uma mensagem escrita a sangue na parede que dizia:

O phaossadto nelao ebonsnetaa murtto

Venhamos e convenhamos, estava claro como água limpa que a frase depois de decifrada se transformava em “Hotel Bonneaut”. Além disso, concluímos que a mulher havia escrito a frase com o sangue de seus pulsos, e por algum motivo, se suicidado.

Jornais com casos de pessoas que morreram afogadas, livros sobre música clássica e partituras com músicas antigas para serem tocadas no piano, se aquilo se conectava, eu só saberia se fosse até o antigo e escondido...

Hotel Bonneaut, Bloomfield Hills.

Olhei para Henth novamente e ele checou o relógio e um papel com o endereço exato ao seu lado, ele disse com palavras firmes:

- 16:47, estamos chegando.
- O Hotel parece bem afastado da cidade, eu não imagino o motivo dele ser tão distante, não há nem possibilidade das pessoas chegarem por aqui de trem, bonde ou afins.
- Eu espero que o endereço esteja certo, não sei se há possibilidade de um hotel ser construído no meio de um bosque.
- O endereço está certo.

Uma construção grande e cinzenta, com algumas vinhas nas paredes estava posto próximo a um lago grande e escuro, parece ser bem profundo. Um senhor gorducho e careca estava apoiado em uma bengala na escadaria de entrada do hotel, o carro parou lentamente, próximo à escadaria de entrada e o homem nos deu um sorriso.

- Podem deixar o seu carro aí mesmo, bem-vindos ao Hotel Bonneaut.
- Uh... Olá, senhor...

Enquanto subíamos a escadaria ele nos acompanhava com o olhar e após nos aproximarmos da porta de entrada ele começou a nos seguir, eu sussurrei para Henth:

- Não vamos dizer o que viemos fazer aqui, vamos com calma.

Ele assentiu com a cabeça e pisamos com o pé esquerdo no tapete escarlate do salão, uma música calma tocada no piano nos acolhia, o pianista estava posto no fundo da sala, concentrado em sua melodia.

A iluminação era viva, o vermelho amarronzado das paredes refletia e o lustre parecia dar um ar chique ao local, nos movemos atentamente até a mesa de recepção e um homem com cabelos lisos e longos, usando terno e luvas anotava algo em um grande livro.

Ele virou a sua face para mim e com um sorriso nos perguntou:

- Posso ajudar, senhores?
- Gostaríamos de nos hospedar pelo final de semana aqui. Há algum quarto disponível?
- Vão aproveitar o final de semana? Claro que sim, senhores, se vão querer um quarto separado recomendo nos andares mais baixos , mas se vão querer ficar juntos existem quartos maiores entre os de número quarenta ao cinquenta e poucos.
- Queremos um quarto grande, mas de pref... – Interrompi o Henth, que estava prestes a dizer o quarto que iríamos ficar.
- Eu gostaria do quarto 15, enquanto você pode ficar com o 16, certo Henth?
- Infelizmente... – O moço da recepção disse com ar triste. – O quarto 16 já está ocupado mas temos o 18, no mesmo andar, e não ficam tão distantes um do outro.
- Então Ok, Tudo bem pra você, Henth? 
- Ok... - Henth disse, firme.
- Nomes, por favor? - O moço perguntou, erguendo a caneta.
- Marley Quentin Finnick.
- Henth Billmoor. Quanto vai ficar tudo junto? – Henth questionou.
- 330 Dólares, senhores, os extras vemos depois... – Ele começou a anotar alguma coisa no livro.

Henth retirou sua carteira de dentro do capote e puxou o dinheiro suficiente e mais um pouco, o jovem deu o troco e entregou as duas chaves para nós, assinamos um papel, ele deu um sorriso amigável e disse para nós que os quartos estavam no primeiro andar.

Seguimos para o elevador e não me surpreendia que o hotel só tinha 5 andares, Henth, por outro lado, estranhou quando pressionou o número “1”, o elevador subiu e se abriu para um corredor reto com algo que parecia ser uma máquina de alguma coisa no final do corredor. 

E enquanto estávamos andando, passos rápidos se aproximavam de nós e num susto uma senhora passou pelo meio de nós ofegante, direto para o seu quarto, de número 14, a lâmpada deu uma leve piscada, como se fosse falhar...

Henth saiu primeiro, ele acenou com a cabeça e eu dei um sorriso, me pus na frente da minha porta e a abri, após destrancá-la, o quarto era simples, mas essencial para um final de semana no hotel, olhei para um relógio rústico na parede, 17:18, era cedo, mas eu estava incrivelmente cansado, até que cochilei...
***

É ASSUSTADOR QUANDO VOCÊ ACORDA DE UM COCHILO OUVINDO GRITOS, mas quando eu fui, ofegante, até a porta os gritos foram ficando mais e mais abafados, abri a porta desesperado e uma mulher estava na minha frente, sorrindo para mim e disse:

- Jantar, no grande salão... senhor Marley.

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